quinta-feira, 26 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
inclusão
fecundo
placenteado de papelão e migalhas
fechado por argolas olímpicas
uma vida se forma
então o preparo
pra terra perversamente parir
mais um esfomeado
filho de deus
contra o chão
terça-feira, 29 de setembro de 2009
perder o tempo lendo*
http://pretensiosinho.blogspot.com/2009/05/um-passo.html (esse por motivos óbvios).
http://pretensiosinho.blogspot.com/2009/08/o-copo.html
http://pretensiosinho.blogspot.com/2009/08/amizade.html
http://vadiagizinha.blogspot.com/2009/08/gato-mia-fragmento.html
http://vadiagizinha.blogspot.com/2009/05/odisseu.html
http://vadiagizinha.blogspot.com/2009/07/no-de-forca.html
http://le-hashishin.blogspot.com/2009/08/9-sinfonia-iv-presto-allegro-assai.html
http://le-hashishin.blogspot.com/2009/05/sao-matheus.html
http://le-hashishin.blogspot.com/2009/01/queda-do-front.html
http://odepositodosfundos.blogspot.com/2009/03/ultima-ceia.html
http://luridworld.blogspot.com/2009/08/carne-fresca.html
algumas coisas que me lembro de ter gostado.
pronto, falei pela segunda vez nesse blog...
* pp
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
teogonia
nua e bêbada
fumando um cigarro
se debruça sobre o sujo parapeito
do prédio mais feio
a trindade do membro amputado
me eleva ao último andar
pé-esquerda
"se ainda me acha louco, não mais pensará assim quando eu descrever as sensatas precauções que tomei para ocultar o corpo. a noite avançava, e trabalhei depressa, mas em silêncio. antes de tudo desmembrei o cadáver. separei a cabeça, os braços e as pernas."
o coração delator - edgar allan poe
não é loucura, saberia se fosse. tão pouco embriagues, pois essa finda com o dia às 7 e tantas da manhã numa cama qualquer feita de espinhos e seios. dois, belíssimos, perversos e maternais. não há qualquer problema em minha lógica exata e precisa, nem em minha subjetividade comedida, quase objetivada pelos sentidos químicos de meu cérebro matemático.
a alma permanece serena e pura na simples aceitação do mundo, suas coisas, nomes e lugares e todas suas sub e super-exposições, macro ou micro-econômico-sociais.
a inquietação tem apenas sentido físico. de todos os membros, percebo-me o menos apto, com dedos tortos e unhas mal-cortadas. carrego como apêndice toda a funcionalidade essencial e divina do corpo, guiada no equilíbrio-coxo da razão deslocada. na tentativa mítica de quebrar as correntes cirróticas, livro-me da cabeça e então dos braços, tronco e pernas. prostrado silenciosamente no forno engordurado pré-aquecido da razão pura, deito-me sendo pé-esquerdo e aguardo...
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
schistosoma mansoni
murmura entre os lábios.
se o sangue ainda pulsa
o desconforto é constante.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Cutelo
"Como se essa grande cólera tivesse lavado de mim o mal, esvaziado de esperança, diante dessa noite carregada de signos e estrelas, eu me abria pela primeira vez è terna indiferença do mundo. Ao percebê-la tão parecida a mim mesmo, tão fraternal, enfim, eu senti que havia sido feliz e que eu era feliz mais uma vez. Para que tudo fosse consumado, para que eu me sentisse menos só, restava-me apenas desejar que houvesse muitos espectadores no dia de minha execução e que eles me recebessem com gritos de ódio."O Estrangeiro - Albert Camus
Ontem, às 13h27, senti vontade de ver meu sangue espirrar. Sair por ai, na parada de sete de setembro, no carnaval fora de época de sabeláDeusonde, na igreja pentecostal, na casa da minha tia Julia. Sair por ai, borrifando meu sangue nos aventais brancos, nas criancinhas puras, nas putas, virgens, soldados, ladrões, mães, pombos, senhorinhas fazendo paçoca, vagabundos, alcoólatras.
Então só senti vontade de ver sangue, não o meu, de algumas pessoas. Algumas quaisquer, aleatórias, escolhidas com o mesmo critério de Deus. O cutelo. E arranquei, em pleno calor insuportável do sol, pernas como quem corta cana, rasgei troncos, separei cabeças. Com as bocas-de-lobo vomitando e jorrando, fiz meu tapete vermelho e caminhei triunfante pela rua sem graça, avisando a todos que merda toda está aí, não falta um pedaço sequer. Pro diabo, todos vocês!
Ontem, às 13h28, sentei pra esperar as tochas e foices.
domingo, 26 de julho de 2009
163
A tábua solta
no piso de taco
e todas as suas possibilidades.
Das paredes
de cortiça.
Dos cantos
de teias.
Dos olhos
de fome.
Banheiros não usados,
usáveis.
Do cheiro azedo
da sempre mesma garrafa de conhaque bebida.
Só o que sobra.
Agrada-me
o sem-valor,
o sem-significado.
